A Realidade Aumentada pelos olhos de Eduardo Vieitas, presidente do ITPeople Group

A Realidade Aumentada pelos olhos de Eduardo Vieitas, presidente do ITPeople Group

18 Julho, 2019 0 Por Joel Pinto

No passado dia 25 falamos aqui sobre a MTG Manager, uma aplicação da BigAR, empresa do ITPeople Group, que foi concebida para melhorar a experiência de jogo e de colecionismo dos fãs do popular jogo de cartas, Magic The Gathering. Uma aplicação que já ultrapassou os 25 mil utilizadores mensais.

No seguimento disso, tivemos oportunidade de entrevistar o Eduardo Vieitas, presidente do ITPeople Group, e tentar perceber qual é a sua visão de futuro, a  Realidade Aumentada, desafios e o rumo que empresa pretende trilhar, mesmo sabendo que existem grandes grupos neste mercado.

  • De que forma pode a Realidade Aumentada mudar o nosso quotidiano nos próximos anos?

Nos últimos anos, assistimos a um progresso vertiginoso dos equipamentos e softwares que permitem novas experiências de Realidade Aumentada (RA). Isto fez com que os casos de aplicação da tecnologia ao mercado crescessem bastante para além dos que estavam inicialmente identificados – mercados como o da produção industrial, turismo, retalho, imobiliário, saúde ou educação serão transformados na próxima década e, com eles, o nosso quotidiano.

Naturalmente, a contínua evolução do smartphone e o aparecimento de smartglasses vulgarizarão o nosso acesso às experiências de RA, mas elas precisam de existir e trazer um valor real às pessoas e às organizações. Nesse sentido, diria que o principal elemento transformador deste mercado passa pela criação de ferramentas de valor acrescentado com esta tecnologia.  

Eduardo Vieitas - A Realidade Aumentada pelos olhos de Eduardo Vieitas, presidente do ITPeople Group

  • A dependência de óculos de RA para a sua aplicação é algo que pode mudar? Que outros dispositivos poderemos ter para beneficiarmos de RA?

A utilização de RA através de smartglasses faz sentido em casos de utilização que exijam hands-free – por exemplo, em contextos de manutenção industrial, durante um processo de inspeção ou assistência remota onde um especialista à distância ajuda o técnico local através de smartglasses. Temos neste momento diversos desses casos implementados, tanto em Portugal como na América do Sul, mas nem sempre é assim. Podemos ter Realidade Aumentada através de smartphones e tablets, o que permite uma maior adoção e utilização da tecnologia num maior número de organizações.

  • Quais os principais desafios para a adoção generalizada de tecnologia de RA?

Para o público em geral, diria que a principal barreira está em não existir ainda um caso de aplicação generalizada da tecnologia em que a necessidade desta seja sentida pela esmagadora maioria dos consumidores.

Para as organizações, temos vindo a realizar uma transição na NextReality de soluções, fun e mais descontraídas para soluções must-have, úteis e com uma proposta de ROI bastante clara. A título de exemplo, temos um cliente chileno que presta serviços de manutenção a equipamentos industriais por toda a América Latina. Sempre que surgiam problemas inesperados nos equipamentos em países sem técnicos locais disponíveis, surgiam igualmente os custos de deslocação urgente, de estadia e de oportunidade, para além dos prejuízos decorrentes da paragem do equipamento sofridos pelo cliente. Ao implementarmos uma solução de manutenção remota através do Microsoft Hololens, garantimos que a intervenção seja hoje realizada no momento, sem incorrer nestes custos e acelerando a entrega da solução. Ou seja, o retorno do investimento inicial é muito rápido e bastante óbvio para as empresas, que assim se sentem mais seguras em realizar o investimento em hardware, software e formação. 

  • O que pode a RA fazer pelo mundo dos videojogos?

É mais um mercado com oportunidades, decerto. Na NextReality estamos focados em mercados B2B (Business-to-Business) mas essa é uma área onde claramente o IT People Group  se mantém atento a oportunidades e que valorizamos, não sendo atualmente o nosso foco.

  • Quais os principais objetivos da NextReality para este ano? Projetos e milestones?

A NextReality tem como slogan “What’s Next?”, que traduz esta necessidade constante de descobrirmos o que está para lá da curva, a próxima inovação, a próxima fórmula de acelerarmos a nossa organização. Nesse sentido, lançámos este ano o Talent Tiers, o primeiro programa de retenção de talento que utiliza Blockchain, criptomoedas e técnicas de gamificação para reter talento nas equipas, proporcionando uma maior proximidade do colaborador com a empresa. É a primeira vez que uma solução de Blockchain é desenvolvida com este propósito e estamos novamente na frente da inovação – é essa a nossa natureza, sermos ambiciosos e rigorosos. Os nossos objetivos este ano refletem isso mesmo.

CEO do ITPeople Group - A Realidade Aumentada pelos olhos de Eduardo Vieitas, presidente do ITPeople Group

  • A aplicação MTG Manager da BigAR tem registado bons resultados. Quais são os next steps? O que podem os fãs de Magic esperar desta app?

O MTG Manager tem uma origem muito interessante. Há cerca de três anos, um colaborador, então estagiário na NextReality, apresentou-me uma nova forma dos jogadores de Magic: The Gathering poderem organizar as suas coleções de cartas. Na altura, achei curioso mas rapidamente percebemos que a dimensão do mercado e a paixão dos utilizadores pelo jogo mereciam a nossa atenção. Três anos volvidos, a BigAR é uma empresa com 15 apps dedicadas a outros TCG (Trading Card Games) e um volume acima dos 25 mil utilizadores mensais. Este modelo de empreendedorismo, em que o IT People Group investe na ideia do colaborador que entretanto se transforma em empreendedor, é um modelo que promovemos hoje no IT People Group junto de toda a equipa e tenho a expetativa de termos mais novidades em breve.

  • Como pode um grupo português de pequena dimensão como o IT People Group competir com grandes companhias tecnológicas internacionais que disputam o mesmo espaço no mercado?

Com um foco muito grande na criação de valor para os nossos parceiros e clientes, através de inovação continuada e de soluções que compensam, de facto, o investimento. Nesse sentido, desafiamos continuamente os nossos clientes a integrarem processos transformadores com uma rapidez e flexibilidade que grandes empresas não têm e essa é igualmente uma força. No final, o mais importante é ganhar a confiança dos nossos atuais e futuros clientes, porque se vir bem, não há nada de mais importante do que isso mesmo: confiança. E eu tenho muita confiança no futuro.

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