Análise LG V50 ThinQ: Um verdadeiro topo de gama preparado para o 5G

14 Agosto, 2019 0 Por Joel Pinto

Durante as ultimas semanas temos andado com o LG V50 ThinQ, um dos principais telefones da fabricante Sul Coreana, e o primeiro smartphone 5G a ser disponibilizado em território nacional. No entanto, e por questões lógicas, o 5G não foi testado nesta nossa análise, e por uma razão muito simples: o 5G ainda não está disponível em Portugal.

Trata-se de um telefone com tudo o que os topos de gama da actualidade possuem, e ainda conta com um segundo ecrã que pode ser usado nas mais variadas situações. Mas vamos tentar explicar isso na nossa análise, que aqui deixamos.

Análise LG V50 ThinQ

Análise LG V50 ThinQ: Design e ecrã

Em termos de design, o LG V50 ThinQ é um pouco diferente dos mais recentes telefones de topo de temos testado. Na frente, temos alguns frames em torno do equipamento. O seu ecrã conta com 6,4 polegadas e no topo da mesmo temos um grande entalhe, igual (ou ligeiramente maior) ao do iPhone X, e essa é desde logo a primeira diferença em relação à concorrência, que tenta fugir desse entalhe como o diabo que foge da cruz, mas a LG decidiu utilizar algo que não foi muito bem aceite pelos utilizadores.
A sua parte traseira é em vidro e nela temos um sensor de impressão digital e os três sensores fotográficos, que estão muito mais bem integradas, ficando atrás do vidro como de diversos olhos de boi se tratassem, e como tal sem qualquer saliência. Algo que me agrada muito.

Ainda na parte de trás, mas um pouco mais abaixo, vemos três pontos de contacto, muito discretos, que são utilizados para ligar o ecrã secundário (sobre o qual falaremos mais adiante).
A sua porta USB (do tipo C) está na base do telefone, devidamente alinhada no centro com o resto dos elementos ficando ao lado do mesmo, como o altifalante principal, o microfone e o conector de 3,5 mm. Como no fundo não cabe mais nada, a bandeja do cartão foi levada para o lado, logo por baixo do botão de energia. Há também o botão físico para o assistência por voz, mas que decidi não testar, pois não funciona na língua Portuguesa.

As bordas têm um acabamento brilhante, como costumamos ver em muitos dos smartphones de hoje, que no modelo preto têm um certo brilho entre cinza escuro e castanho. O ecrã é praticamente plano, e nas laterais ele é ligeiramente curvo, não tanto como o Edge da Samsung, mas essa ligeira curvatura, com a curvatura da traseira, faz com o telefone seja quase "arredondado", e por isso muito confortável de ter na mão.

Análise LG V50 ThinQ: Dual Screen

Um acessório permite que acoplemos um segundo ecrã de 6,2 polegadas ao LG V50 ThinQ. Trata-se de uma espécie de uma capa em plástico, com uma dobradiça, que de um lado temos o ecrã secundário, e do outro lado um Chassi onde se encaixa o V50.
Trata-se de uma extensão do ecrã principal, para que possamos ter até três tarefas abertas em simultâneo.

Além das vantagens da execução de aplicações em primeiro plano, como por exemplo o de escrever mensagens enquanto assiste a um vídeo, verificar outras coisas durante uma chamada de vídeo ou de ter por exemplo duas sessões do Facebook abertas ao mesmo tempo, há serviços que a LG adiciona para este Dual Screen. Entre eles, os mais impressionantes são os diferentes joysticks para jogos, embora no final isso dependa da compatibilidade do jogo em si. Experimentei os mesmos em 2 jogos, no PUBG e no Asphalt 8, e sinceramente não gostei da jogabilidade. Talvez pela falta de hábito.

Análise LG V50 ThinQ

Uma das maiores vantagens que senti neste ecrã secundário, é a utilidade para aplicações de produtividade. Enquanto utiliza o equipamento, era muito facil por exemplo, de escrever um artigo aqui para o Noticias e Tecnologia. Isto porque facilmente se transforma um Ecrã num teclado, e o outro ecrã era a janela onde se escrevia. Era como se fosse um "mini laptop".

Outro facto que reparei, é que o touch do segundo ecrã, não responde tão bem quando o esperado. Não se pode dizer que é igual ao touch do telefone em si. Quando está a funcionar como teclado funciona bem, responde bem, mas o "toque" em si não é tão agradável como no telefone.
Outro facto que também reparei, é que com este segundo ecrã, a bateria do equipamento tem tendência a ser consumida quase ao dobro da velocidade, pelo que em caso de uso, dificilmente dura 1 dia inteiro.

Análise LG V50 ThinQ: Desempenho

A LG faz parte das fabricantes que habitualmente equipam os seus seus principais dispositivos, com processadores da Qualcomm, e neste não foi diferente, já que ele está equipado com o Snapdragon 855, que foi até a alguns dias o seu processador mais potente, e neste caso vem acompanhado pelo modem X50, o que significa que está preparado para as redes 5G. Como é óbvio, o 5G é algo que não podemos testar, já que ainda não está disponível em Portugal. No entanto, ao contrário do que se tem dito em Portugal, este foi na realidade o primeiro smartphone 5G a chegar a Portugal.
E já que estávamos a falar das especificações técnicas, ele tem 6GB de RAM, e 128GB de armazenamento interno.

Esta combinação (Snapdragon 855 com 6GB de RAM), são mais do que suficientes para a multi-tarefa, pois tive momentos em que trabalhei em 3 aplicações ao mesmo tempo (2 no ecrã principal, e 1 no ecrã secundário) e em momento algum senti perda de desempenho, ou atrasos.

Para aqueles que gostam de ter os resultados de benchmark como referência, aqui fica o resultado obtido pelo LG V50 ThinQ no Antutu, e o resultado fala por si.

Análise LG V50 ThinQ

Este é um verdadeiro topo de gama, e como não podia deixar de ser, tudo funciona forma fluída e sem qualquer problema. O desempenho é do melhor que podemos ter actualmente num smartphone.

Análise LG V50 ThinQ: Software

A LG UX tem sido historicamente um das "interfaces" mais invasivas em termos de adição de elementos próprios, e apesar de ter passado por uma notável evolução para se tornar algo mais universal não perdeu a essência. Com a chegada do Android 9.0 Pie a LG trabalhou muito na sua própria versão do sistema operativo da Google, mas continua a ter pormenores que a meu ver, continuam a não fazer sentido. Desde logo a começar pela inclusão de bloatware. Felizmente não chega a ter metade do que trazia no passado, mas continua a trazer, e não são assim tão poucas quanto isso.

Outro pequeno detalhe que para mim também já faz diferença, é o facto de não trazer a navegação por gestos. Isso é algo que as grande fabricantes mundiais já não dispensam, e muito provavelmente porque os utilizadores gostam e usam. Eu sou um desses casos, e sempre que um telefone tenha essa funcionalidade, uso-a e deixo de parte a utilização dos botões de navegação.
E tirando esses dois pequenos pormenores, tudo trabalha bem e sem qualquer problema.

Análise LG V50 ThinQ: Câmaras

Esta é das partes que mais gostei neste smartphone. Ele conta com três sensores fotográficos na parte traseira que fazem muito bem o seu trabalho. E dois sensores na frente, que funcionam igualmente bem.

Sensores traseiros:

  • Sensor de 12 megapixels (1.4μm pixels) com lentes de abertura padrão f / 1.5 e 78 graus
  • Sensor de 16 megapixels (1 μm pixels) com lente grande angular super f / 1,9 e 107 graus
  • Sensor de 12 megapixels (1 μm pixels) com lente telefoto com abertura f / 2,4 e 47 graus, zoom óptico de 2x

Sensores frontais:

  • Sensor de 8 megapixels (1.12 μm pixels) com lentes de abertura de f / 1.9 e 80 graus
  • Sensor de 5 megapixels (1 μm pixels) com lente grande angular f / 2.2 e 90 graus

Análise LG V50 ThinQ

As câmaras permitem gravação de vídeo em até 4K, incluindo câmara lenta de até 140 frames por segundo e resolução HD. É claro, temos uma ferramenta de inteligência artificial AI Cam, bem como os modos retrato e os efeitos bookeh e outras características que habitualmente acompanham os telefones de topo.
A aplicação da câmara está recheada de modos, e tem uma navegação simples, com ferramentas à esquerda ou à direita, dependendo do modo que queremos abordar e com as configurações que variam dependendo de qual modo ou lente está activa naquele momento, fornecendo as opções possíveis. Para ajustar a qualidade das fotografias e vídeos, temos de inserir algumas modos, mas há um acesso rápido no menu de configurações para esses aspectos, que facilitam muito essa tarefa.

A aplicação funciona muito bem, abrindo sem problemas ou atrasos tanto no ícone como no ecrã de bloqueio. O modo manual permite que possamos ajustar cada parâmetro de forma independente e não encontrei qualquer problema ao trabalhar com o mesmo.
A aplicação conta com um modo nocturno que funciona perfeitamente, mesmo que queria ter tudo a funcionar de forma automática.

Em geral, as três câmaras traseiras do V50 ThinQ guardam muito detalhes e as fotos parecem limpas e com óptimos resultados... mesmo em condições de pouca luz.
As câmaras frontais funcionam de maneira aceitável, embora permaneçam baixas em faixa dinâmica, detalhes e uma leve superexposição. Bem no nível das cores, a abordagem funciona bem em condições favoráveis, como em espaços exteriores iluminados, mas não tanto em interiores, e algo para corrigir é o modo de beleza, que não deveria ser activado automaticamente.

Análise LG V50 ThinQ: Bateria

Normalmente, existem muitas variáveis em torno do consumo de bateria. Ela influencia, além do uso, a conectividade que temos ou se recorrermos a algum sistema de economia de consumo, e nesse caso também tivemos um acessório que faz consumir mais alguma energia, o ecrã secundário, que tem um impacto considerável na autonomia nos dias em que a usamos.

A LG equipou o V50 com uma bateria de 4.000mAh, a maior que já vi num topo de gama da LG. E essa bateria faz juiz à sua capacidade. Em dias que não usei o ecrã secundário, conseguia obter 7 horas de ecrã com muita facilidade, que a meu ver é excelente. Isso na prática traduz-se em que fazendo um uso intermediário, sem ser intensivo e sem deixá-lo durante muitas horas ligado a uma rede WiFi e com aplicações a correr em background, conseguimos facilmente chegar ao fim do dia com 40% de bateria.

Em termos de carregamento, está longe de ser o mais rápido que já vi, em por norma colocava-o à carga quando chegava aos 15% de bateria... daí até aos 100%, temos pouco mais de 1 hora e 35 minutos de espera. Para uma bateria de 4000mAh, não é necessariamente mau.

Na seção das configurações da bateria temos várias opções para personalizar as acções do smartphone a esse respeito, como a possibilidade de optimizar a carga, estabelecendo um perfil de economia de energia entre os três disponíveis. Há também a limitação automática do brilho a 0%, uma vez que a bateria atinge os 10% , embora isso geralmente seja quase mais um incómodo do que uma ajuda.

Análise LG V50 ThinQ

Análise LG V50 ThinQ: Som

Um dos pontos fortes deste equipamento. De uma forma rápida e directa, o som do V50 é bom, e graças ao Quad DAC de 32 bits e ao seu altifalante Boombox de 1,2 watts.
O áudio é de qualidade, com uma faixa dinâmica aceitável e a nitidez esperada para um smartphone de topo. Alem disso ele conta com melhoramentos DTS: X 3D Surround, que oferece maior envolvência e, além disso, a direcção do áudio pode ser emulada, escolhendo entre largura, frente e lateral. Este DTS: X vale a pena activá-lo, pois melhora muito a experiência de áudio, quer em músicas, podcasts ou mesmo em videojogos.

Análise LG V50 ThinQ: Veredicto final

Infelizmente o 5G ainda não pode ser aproveitado, e essa podia ser a grande arma da LG para atacar o mercado. Infelizmente para a fabricante, esse é um ponto que de momento não faz qualquer diferença na hora de escolher um smartphone novo, a não ser que seja dos utilizadores que gosta de manter um smartphone durante 2 ou 3 anos... então aí tem a vantagem de que vai ter a hipótese de usar as redes 5G sem ter de comprar um novo smartphone.

Tal como em todos os telefones, há aspectos que gostei mais, e outros que gostei menos. E vou começar pelos que menos gostei. O Dual Screen, não achei muita piada, apesar de o considerar muito util para quem quer o telefone para produtividade. Só que acoplar o smartphone aquela "case", torna o telefone muito pesado, muito grosso e torna-o desconfortável. As funcionalidade em si são muito interessante, mas perde-se a "mobilidade" do equipamento em si. Coloca-lo no bolso com a capa está fora de questão, a não ser que se goste de ver com bolsos volumosos.

Outro ponto que apesar de não considerar negativo, mas que a LG necessita de rever, é o software da câmara. As fotos são boas, mas alguns efeitos por vezes deixam as fotos ligeiramente borradas, e isso nota-se que é efeito do software.

Depois temos o entalhe.. Em 2019 já não faz qualquer sentido.

As partes positivas, vão desde o seu design e acabamento que são dignas de um topo de gama. Um telefone extremamente agradável de ter na mão. O som... o som é do melhor que já testei num smartphone. Não sei se é o melhor telefone que testei nesse quesito, mas se não for o melhor, anda muito perto disso.

No geral acho que é um excelente smartphone, e que não fica nada atrás dos restantes smartphones que vemos no mercado. Infelizmente a LG parece estar em queda livre neste mercado, mas muito provavelmente não é por causa de telefones como este... talvez lhe falte investir um pouco em marketing para voltar a ganhar a confiança do consumidor. Mas isso já sou eu a divagar, a LG tem excelente profissionais e saberão o que têm de fazer.

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