Análise LG G8X ThinQ: Um topo de gama com 2 ecrãs

8 Abril, 2020 0 Por Joel Pinto

O G8X ThinQ é o mais recente topo de gama da LG que foi anunciado em Setembro de 2019, e chegou ao mercado em Novembro do mesmo ano. E tal como o LG V50 ThinQ, que disponibilizamos a nossa análise em Agosto do ano passado, este conta com um segundo ecrã que pode ser utilizado nas mais variadas situações.

Análise LG G8X ThinQ

Ecrã e Design

Este LG G8X está longe de ter um design impressionante se comparado com outros telefones da mesma faixa de preço. O telefone faz uso do metal e do vidro, e oferece um acabamento com uma sensação verdadeiramente incríveis. A parte de trás conta com um tom de azul que é subtil e elegante. As bordas de vidro arredondadas também são muito confortáveis ​​de segurar. O melhor de tudo é que não há saliências para as câmaras traseiras, pois o módulo fica nivelado com o corpo.
No lado direito do telefone temos o botão power, enquanto os controlos de volume, e uma tecla de atalho dedicada ao Google Assistant ficam à esquerda. A parte inferior do telefone conta com uma entrada de 3,5mm para os fone de ouvido, uma porta USB do Tipo C e um altifalante.

Além disso, o telefone usa o Gorilla Glass nos dois lados, mas o Gorilla Glass 6 na frente, e o Gorilla Glass 5 na traseira. Ele conta com a certificação MIL-STD 810G e possui uma certificação IP68 que o protege da água e da poeira. Em suma, este é um telefone extremamente bem construído.

O seu ecrã principal (falaremos do segundo posteriormente), é na verdade um painel OLED com a proporção 19,5:9 e com a resolução FullHD+. Infelizmente as margens deste ecrã são significativas, grande demais para o meu gosto. Diria mesmo, que são margens dignas para um telefone de gama média (baixa) de 2020, e algo que tem de ser pensado pela LG.
Na parte superior do ecrã temos um entalhe em forma de U que abriga o sensor fotográfico traseiro.

No entanto, este ecrã faz um excelente trabalho, já que oferece cores vibrantes, e é perfeitamente legível sob condições de luz solar directa. Se não é fã de cores saturadas, pode suavizar os tons das cores para torná-las mais naturais. E como tem suporte para o HDR 10, todos aqueles que utilizam este tipo de equipamentos para assistir a conteúdos de serviços de streaming, como a Netflix, o ecrã torna a experiência de visualização realmente muito agradável.

Por debaixo do ecrã temos um sensor de impressão digital que funciona bem. Não é o sensor mais rápido que já usei, mas responde muito bem quando solicitado... e deverá usar muitas vezes, já que não entendo os motivos que levaram a LG a não colocar o suporte para o desbloqueio facial neste equipamento.

Segundo ecrã (Dual Screen)

Este Dual Screen acompanha o telefone, e é um dos principais motivos pelos quais o telefone ficou tão popular. Numa altura em que a maioria das fabricantes se debruça sobre os ecrãs flexíveis, a LG lança o G8X ThinQ com o Dual Screen, que permite expandir o seu ecrã sem aumentar o seu preço.

O segundo ecrã é disponibilizado no estilo de uma capa flip, que possui uma construção de plástico macio. Esta capa conta com um ecrã OLED de 6,4 polegadas no seu interior, muito idêntico ao ecrã que falamos anteriormente. Para manter a uniformidade, ele também conta com um entalhe em forma de U, mesmo que não tenha qualquer sensor fotográfico no seu interior. Além desse ecrã, a capa flip conta com um ecrã mais pequeno no lado exterior. Esse ecrã exibe algumas informações rápidas, como a hora, data e notificações. Também mostra as chamadas recebidas que podem ser respondidas clicando no botão dedicado ao Assistente da Google.

Esta capa liga-se à porta USB do Tipo C. E se fica com receio da autonomia do equipamento quando liga um segundo ecrã, essas preocupações são legitimas, já que ambos vão utilizar a bateria do smartphone para se alimentar. Nos meus testes verifiquei que com o segundo ecrã ligado, a autonomia do telefone (falarei dela mais abaixo) descer mais de 20%.

No entanto, este segundo ecrã oferece realmente muitas funcionalidade, que mais nenhum telefone (sem duplo ecrã) do mercado fornece, principalmente quando queremos utilizar a multitarefa. Podemos iniciar duas aplicações diferentes ao mesmo tempo neste ecrã. Um exemplo? Imagine-se a viajar, num ecrã utiliza o Google Maps, e no outro ecrã utiliza a aplicação de fotografia. Melhor de tudo, é possível programar (facilmente) para que quando abrir-mos a capa, este segundo ecrã inicie automaticamente uma aplicação especifica, e definida por si.

Alguns jogos, como o Asphalt 9 (que até já vem instalado no telefone), já permitem tirar partido de ter um telefone com os dois ecrãs, em que um deles é o local onde decorre o jogo, e no outro um gamepad dedicado. Isso melhora significativamente a experiência de jogo.

Asphalt 9

A dobradiça desta capa flip é bastante sólida e permite sustentar o ecrã secundário nos mais variados ângulos. Isso é útil quando deseja por exemplo assistir a um filme.

No que diz respeito ao software, há um botão flutuante que aparece quando ecrã secundário é ligado. Tocar no botão flutuante permite trocar o conteúdo dos ecrãs, alem de desactivar/activar o ecrã primário / secundário. Um toque horizontal permite transferir aplicações abertas, de um ecrã para o outro.

Não queria deixar de referir, porque passei por isso e não estava a perceber porque, se a bateria do telefone descer dos 15%, o sistema automaticamente desliga o ecrã secundário, tornando-se assim inútil até que volta a carregar a bateria do equipamento.

Desempenho

O G8X ThinQ é um verdadeiro topo de gama, e por isso não há muito a dizer sobre este smartphone. No momento em que escrevo este artigo, ele já não conta com o processador mais poderoso do mercado, mas quando foi lançado, o Qualcomm Snapdragon 855 era o melhor processador que podíamos ter num smartphone Android. Este processador lida facilmente com qualquer aplicação, ou jogo, sem a mínima dificuldade.

Juntamente esse chip da Qualcomm, temos 6 GB de RAM, que são mais do que suficientes para tudo o que possa querer fazer com o telefone, desde iniciar aplicações rapidamente, ou até mesmo mantê-las na memória por períodos muito longos.

Tal como tinha referido, o desempenho nos jogos é realmente muito bom. Jogos como Asphalt 9 e Call of Duty Mobile, jogam absolutamente bem, e com a adição do GamePad da LG, graças ao Dual Screen, torna a experiência de jogo mais agradável.

Como sempre, gosto de deixar os resultados na plataforma do Antutu, para que sirva para futuras referencias.

Fotografia

O LG G8X possui uma configuração de dupla câmara na parte traseira, que tem como sensor principal, um sensor de 12MP com a abertura f/1.8 que é acompanhado por uma lente ultra grande angular de 13MP. Sim, definitivamente não é tão versátil como as mais variadas combinação de tripla ou quadrupla câmara que vemos nos topos de gama mais recentes. Pessoalmente, pouco uso os sensores de telefoto e de marco, por isso consigo viver bem com apenas este dois sensores.

A aplicação de câmara da LG é bastante detalhada e oferece diversas configurações distintas e com vários modos diferentes. Além do modo manual para fotos, existe um modo manual para a câmara que oferece controlo granular sobre os diferentes aspectos de um vídeo. Embora a aplicação conte com todas as funcionalidade desejadas, ela já merecia uma reformulação por parte da LG, já que tem um aspecto antigo, e pouco intuitivo. Mas tem tudo o que faz falta.

Chegando ao desempenho de imagem, o G8X faz um bom trabalho em condições de luz do dia. As fotos tiradas são detalhadas, a faixa dinâmica é boa e a reprodução das cores não é muito saturada. Mas se gosta de imagens saturadas, pode usar o reconhecimento de cena para deixar as suas fotos mais vibrantes. A câmara ultra-larga faz um trabalho razoável, mas nota-se que está alguns furos abaixo da câmara principal.

O modo AI activa automaticamente o modo nocturno. Mas o desempenho desse modo deixa muito a desejar. Nota-se melhorias se comparado com fotos sem o modo nocturno activado, mas mesmo ele quando está activo, as fotos ficam "granuladas".

O sensor frontal de 32MP tira fotos muito boas. O modo retrato também funciona bem e a detecção de bordas quase sempre se mostrou correta. Há também um modo de estúdio dedicado.

Em termos de gravação de vídeo, o LG G8X também faz um bom trabalho na gravação em 4K a 60fps. A presença de OIS no sensor principal ajuda muito o telefone a fornecer imagens suaves e com boa reprodução de cores. No entanto, as filmagens nocturnas estão na mesma situação das fotografias nesse modo.

Software

Vou parecer um pouco bruto, mas estamos em Março de 2019, e a LG ainda não actualizou o G8X para o Android 10. Sim, este smartphone ainda está a executar o Android 9.0 Pie, e esse é um dos motivos que afasta o consumidor desta marca de equipamentos. Além disso, por algum motivo que não consigo compreender, o software da LG ainda parece bastante desajeitado. Está a anos luz de outras UI's, como a OneUI 2.0, da Samsung, ou a OxygenOS, da Oneplus. Felizmente não temos publicidades a surgir nesta UI, mas se a LG tivesse optado por uma solução como a Nokia, a de usar o Android quase puro, tinha muito a ganhar.

O telefone sai de fabrica com algumas aplicações pré-instaladas, já tinha feito referencia por exemplo ao Asphalt 9, mas vem com muitas mais. Apesar delas serem muito utilizadas pelos utilizadores, como o Facebook, o Instagram, o Booking, Instalador do Fortnite, etc.. não consigo compreender o que leva as fabricantes a fazê-lo. O telefone já conta com as aplicações da Google, entre elas a Play Store, então porque não deixar o utilizador escolher o que instalar ou não instalar? Sempre fui muito critico em relação ao bloatware instalado nos equipamentos, e aqui estou eu mais uma vez a criticar, e desta vez a LG, por causa desta situação.

No entanto, consigo compreender o facto da LG disponibilizar, de fábrica, duas das suas aplicações, a LG Health e a LG SmartWorld... são aplicações proprietárias, e essas sim fazem parte da UI da LG.

Embora, como a maioria dos telefones Android, a interface da LG também é personalizável. Pode optar por ter uma gaveta de aplicações ou não, instalar temas e alterar ícones. Também existe algo conhecido como "conhecimento do contexto" que acciona algumas acções com base em declarações condicionais. Por exemplo, pode optar por iniciar a aplicação do Spotify, assim que liga os fones de ouvido, que é algo realmente útil.

A LG diz que está a trabalhar na actualização do Android 10 para o G8X ThinQ e deve chegar em algum momento durante o segundo trimestre deste ano, que a meu ver já é tarde demais, uma vez que o Android 11 sairá daqui a 3 ou 4 meses.

Bateria

O LG G8X ThinQ conta com uma bateria de 4000 mAh que suporta o QuickCharge 4.0 e o carregamento sem fio. Com uso intensivo só com o ecrã principal, quase sempre tive bateria para um dia inteiro de uso. Conseguia ter facilmente entre 5, e 5 horas e meia, de ecrã. Se utilizar o segundo ecrã, então aponte para 4 horas (4 horas e 15 minutos) de ecrã para a bateria já ficar com a língua de fora. Não é o melhor que já usei neste segmento, mas também está longe de ser a pior, e a bateria de 4000mAh serão mais que suficientes para a grande maioria dos utilizadores.

Em relação às velocidades de carregamento, também elas são medianas. Dos 0 aos 100% com o carregador de origem, demora um pouco menos de 1 hora e 35 minutos.
A grande vantagem aqui é a utilização do carregamento sem fio, que é chegar a algum lado e pousar o telefone em cima da base de carregamento e deixar lá ficar. Algo que para mim é muito útil.

Outra boa noticia, é que mesmo que esteja com a capa do segundo ecrã, o carregamento sem fio continua a funcionar, que é excelente.

Veredicto Final

O LG G8X ThinQ é um excelente telefone que tenta destacar-se ao oferecer a possibilidade de usar um segundo ecrã, e com um preço relativamente acessível, se por exemplo quiser comparar com o preço de um telefone com o ecrã flexível.

O telefone é bonito, é bem projectado e muito bem construído. Os seus sensores fotográficos são QB e a sua bateria é suficiente para a maioria dos utilizadores. A sua certificação IP68 e MIL-STD-810G, são uma mais valia, tal como o seu desempenho, que é realmente excelente.

No entanto, ele tem muitos pontos que eu considero negativos. O primeiro é logo o software, o Android Pie já nem devia ter saído de fabrica com este equipamento, mas felizmente isso pode facilmente resolvido pela LG, já decorrer das próximas semanas. Mas o que me deixou mesmo um pouco reticente, foi o peso do telefone. Já me tinha queixado que o Galaxy Fold era impossível de colocar no bolso, mas este G8X não é diferente. Se combinado o peso do telefone, com o peso do ecrã secundário, são 326 gramas no bolso... é realmente muito pesado e incomodo. Estou a imaginar-me numas férias de verão, onde a roupa que se usa é pouca... onde se leva um telefone com este peso? a titulo de comparação o Galaxy Fold pesa 263 gramas, e um Galaxy S20 pesa 163 gramas. Sem estar agarrado ao ecrã secundário, temos um telefone perfeitamente usual e por ventura muito bom.

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