Análise Crash Bandicoot 4 – It’s About Time (PlayStation 4)

7 Outubro, 2020 0 Por Sandro Sotto

Não há fome que não dê em fartura, e depois de no ano passado ter sido lançado o Crash Team Racing Nitro-Fueled, um jogo muito divertido, agora chegou o Crash Bandicoot 4 – It’s About Time, um jogo que é a oportunidade de encontrar um Crash no papel que tanto adora, a de herói de um jogo de plataformas, e que soa a homenagem aos clássicos deste género.

O Toys for Bob, o estúdio por trás deste jogo, não escondeu isso: o seu objectivo é dar continuidade a Crash Bandicoot 3: Warped. E diga-se de passagem que é um objectivo ambicioso dada a aura da equipa californiana, e que justifica o nome de Crash Bandicoot 4 quando na verdade este o oitavo "grande" jogo da franquia. Ainda assim, do lado do cenário, temos muitos detalhes do Warped. É assim que encontramos os Neo Cortex e Nefarius Tropy, bem como Uka Uka, e a mask.

Não há necessidade de esconder, este cenário nem sempre é o ponto forte dos jogos de plataformas, e em Crash Bandicoot 4 – It’s About Time isso não é diferente. No entanto, as coisas são bem trazidas com um ritmo, novidades que se prendem bem ao estilo Crash Bandicoot mesmo que a narração seja limitada: não caímos nas cutscenes, Crash nunca falou muito. Mesmo assim, essas cutscenes são engraçadas, o humor está onipresente com intervenções de vários personagens principais, e secundários, para encantar os fãs da franquia. Deve-se notar de passagem que este parece ser especialmente dedicado a um "público jovem" e os toques de humor vão divertir especialmente as crianças entre os 8 e os 12 anos... mas alguns adultos vão adorar.

Um pouco de cenário de “pretexto” para nos imergirmos rapidamente no coração da acção. A aventura não perde tempo e em poucos minutos as principais mecânicas do jogo são apresentadas ao jogador que, convém admitir, deve estar habituado a este tipo de personagens: não há nada de novo neste jogo (neste sentido) já que os movimentos de Crash são os mesmos de sempre: salta, gira, desliza e pouco mais. Passado o tempo de "aprendizagem", rapidamente tomamos a medida do desafio que nos é proposto, pois para triunfar sobre os grandes vilões da história, Crash poderá contar com quatro máscaras que o dotarão de habilidades muito particulares. Então Akano concede um turbilhão de super ataque, Lani-Loli brinca com as dimensões para materializar objectos, Kupana-Wa afecta o fluxo do tempo e Ika-Ika inverte a gravidade.

Divertido, energético e cativante

Sem surpresa, essas máscaras não acontecem todas ao mesmo tempo, e a sua entrada define o ritmo para o progresso de Crash. Isto permite renovar as diferentes fases do jogo, para enriquecer a jogabilidade de forma a evitar qualquer tédio, já que Crash equipa-se automaticamente com a máscara adequada. Note, mesmo assim, que no final da aventura, as coisas acotovelam-se e as mudanças de máscaras são apertadas para sequências onde a dificuldade é significativamente maior do que aquela que temos no início do jogo. Mesmo que raramente seja uma questão de inovar, Crash Bandicoot 4: It's About Time muda regularmente de estilo com passagens 2D clássicas, sequências de perseguição 3D com um inimigo nas costas, momentos nos trilhos, oportunidades de se tornar num verdadeiro Tarzan, e/ou com partes limítrofes em quebra-cabeça.

Na maioria dos casos, o objectivo é sempre o mesmo: chegar ao fim dos níveis relativamente lineares, evitando morrer e recolhendo o máximo possível de frutas wumpa. Estes actuam como marcadores de progresso, chegando a 100% obviamente a ser um exercício nada óbvio. No final da tabela, os programadores não perdem a oportunidade de nos lembrar que um Crash é acima de tudo um teste de habilidade. É necessário ter sucesso na recuperação de 100% dos frutos, mas também recolher jóias, mais ou menos bem escondidas, e identificar os níveis de bónus, que estão um pouco longe de serem óbvios. Além de apenas desbloquear conquistas, a pesquisa pelo Completista permitirá que obtenha novas skins para o Crash e para a Coco.

E já que falamos na Coco... Sim, ainda não tinha tido tempo para discutir o caso da irmã mais nova de Crash, que entrou na franquia com a segunda obra. Dependendo do nível, dependendo da situação, acabamos por jogar com o bom e velho Crash, ou com a sua irmã. Ambos funcionam exactamente da mesma forma, então esta é apenas uma mudança cosmética. Por outro lado, outros conhecimentos são jogáveis ​​para níveis curtos e, aí, a jogabilidade é claramente diferente. Assim, a Dingodile tem o seu “aspirador” para fazer viagens especiais e projectar caixas. Cortex possui uma arma que lhe permite transformar qualquer oponente numa plataforma. Finalmente, Tawna Bandicoot, a namorada de Crash, pode contar com o seu gancho de luta. Com muita pena minha, os níveis jogados com estes personagens são muito raros e curtos.

Isso é um pouco como a crítica geral que é feita contra o livro It's About Time. Na verdade, não leva oito horas para completar a aventura ... e novamente, sem pressa. Ainda assim, o desafio de tal jogo é obviamente recolher o máximo de frutas, desbloquear a maioria das skins e descobrir todos os momentos bónus, bem como esses níveis N.Versed - revertidos - que resumem, ao contrário, o sequências do jogo.

É também importante referir a presença de um pequeno modo multiplayer que pode ser jogado por dois a quatro jogadores. Nesse modo temos que atingir o melhor tempo num nível, ou tentamos destruir mais casos do que os amigos. Obviamente, este não é o coração do jogo, mas é, sem dúvida, um pequeno extra muito bom para passar as noites com os amigos.

Musicalmente o jogo é muito bom, com um lado cativante que atinge o alvo.

Veredicto final Crash Bandicoot 4 – It’s About Time

It's About Time marca o retorno de uma franquia que abalou a infância de muitos de nós, e de um modo geral é muito bem sucedido. Trata-se de um jogo muito colorido e divertido que deve cativar todos aqueles jovens entre os 8 e os 12 anos que ainda não estão agarrados ao Fortnite.

Em termos gráficos o jogo está muito bem conseguido e não é um jogo cansativo e muito menos repetitivo. Os personagens são muito fáceis de controlar, e de um modo geral a Toys for Bob fez um excelente trabalho.

Crash Bandicoot 4

No entanto, como em todos os jogos, ele tem pontos menos positivos, e no nosso teste que foi feito numa PlayStation 4 pareceu-nos haver alguns problemas com a câmara do jogo, e alguma falta de precisão nos ângulos. As 8 horas de jogo, para quem joga "descontraidamente" também podem ser um ponto menos positivo.

Não podemos acabar este análise sem agradecer à PlayStation Portugal a disponibilização do jogo para que esta análise fosse possível de ser realizada.

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